Só de lembrar desse dia sinto arrepios... Isso aconteceu há uma semana atrás, mais ou menos. Éramos 4 amigos , nos encontrávamos nos fundos de um sítio antigo, numa casinha abandonada e sombria, com apenas uma porta e uma janelinha pequena, toda semana com o objetivo de nos divertirmos, já que nunca havia algo para fazer.
Recomendação: +13
Gêneros: Suspense, Ação, Fantasia, Mistério
Notas:
- Ao ler, favor deixar um comentário;
- Ao ler, favor compartilhar a história;
- História completamente de minha autoria;
- Vote na enquete abaixo.
-----
Combinamos assim: colocávamos o dedo indicador na tampa da garrafa, mentalizávamos uma pergunta durante 10 segundos, e, ao mesmo tempo, falávamos a primeira resposta que vinha à cabeça. Repetimos o ritual umas 3 vezes, cada um com sua pergunta, e a resposta sempre se encaixava perfeitamente. Começamos a ficar um pouco preocupados, pois era para ser apenas uma brincadeira. Achei que fosse apenas coincidência, logo eu, o mais cagão do grupo, vai ver foi uma forma de defesa de meu medo...
Resolvemos parar, pois aquela brincadeira já estava assustando. Deixamos a garrafa exatamente onde colocamos, e as velas acesas. Saímos da casinha, trancamos a porta, e fomos aliviar os nervos. Já estava anoitecendo, estava cansado de andar, encontrei uma árvore e não hesitei em sentar e recostar-me em seu tronco firme, meus amigos imitaram o feito. Percebo que havia adormecido, levanto-me rapidamente. Noto que meus amigos não estão mais lá. A maldita garrafa que me atormentara em sonho estava ao meu lado, jogada no chão. Entro em desespero, mas logo penso: "Foram aqueles otários".
Enterro a mão em meu bolso e faço o caminho de volta à casinha. Paro no meio do caminho e noto que o caminho não é o mesmo... Belisco-me para ver se estou acordado. Entro em desespero de novo, lanço-me ao chão, de bruços, viro-me de barriga ao ar, olhando o céu sem nenhuma estrela com a lua cheia entre nuvens. Ouço umas vozes esquisitas e começo a entrar em pânico. Fecho meus olhos com força, respiro fundo, e me acalmo... Dou uma rápida olhada em volta e noto que estou recostado à arvore ainda e com meus amigos em pé, à minha frente. Conto para eles o meu sonho e automaticamente começam a rir num tom irônico. Não gosto da atitude, levanto-me e volto para a casinha. Chego lá, a porta está aberta e entregue ao vento, entro e noto que as velas não estão mais lá. Percebo que em cada canto, onde estavam as velas, havia um desenho e no centro, onde estava a garrafa, um símbolo... Cada canto começa a brilhar, com uma luz que vinha do chão e subia a uns 70 centímetros, cada canto com uma cor. Começa a surgir uma linha ligando cada desenho entre si, e uma linha ligando o símbolo a cada desenho. O brilho se intensifica. Saio da casinha e fecho a porta. Atrás de mim, estão meus amigos, assustado, conto a eles o ocorrido e eles não acreditam. Abro a porta para mostrar-lhes, e as velas e a garrafa voltaram aos seus devidos lugares. Começam a rir novamente de mim. Entramos na casinha e sentamos no centro, como antes, então as velas começam a flutuar e girar. Elas apagam, mas continuam girando, dentro da garrafa uma luz vermelha surge junto à uma fumaça. Levantamos e nos aproximamos, com medo da situação. A tampa da garrafa se rompe e a fumaça escapa junto com a luz. As velas aceleram e começa a chover... - logo falo: "Perfeito... Bem clichê de filmes de suspense." - meus amigos concordam, sem desviar o olhar da luz cada vez mais intensa que permanece no meio da casa. A fumaça se une, formando um rosto, a luz dentro dele lhe dá o tom avermelhado. Todos olham atentamente para o rosto sem expressão, com medo... As velas caem ao chão, como se não tivessem mais forças de continuar girando, e a face não para de encarar, um a um.
Eu, já sem saber mais nada, estendo minha mão e toco a fumaça, sinto apenas a fumaça, porém ela não se deforma. Meus amigos resolvem fazer o mesmo, para tentar desfazer a imagem, e, simplesmente, a face arregala os olhos e esgaça a boca sem parar até voltar a ser fumaça, e a luz vermelha some.
No mesmo momento combinamos de não nos encontrarmos mais e nos desfazermos dos objetos que lá estavam. Amarramos tudo em um pano velho de mesa e jogamos no rio.
Quando eu chego em casa, sento no sofá da sala e numa ação automática ligo a televisão. Escuto um vento forte, abro a porta para ver se está tudo bem, e vejo o tempo chuvoso, porém calmo. Quando volto a lançar-me sobre o sofá, escuto o vento forte novamente, corro para ver se flagro-o, sem sucesso. Olho para baixo, fico pasmo, sem ação... O meu coração acelera. Um garotinho novinho aparentando ter seus 5 ou 6 anos, trazendo, acolhida em seus pequenos braços, a maldita garrafa.
"... Sim! Ele vai acordar logo...". Abro meus olhos lentamente, percebo-me em um quarto branco mal pintado, com uma pessoa de costas para mim e uma enfermeira.
"Ele acordou!" Diz a enfermeira.
"Nossa, que susto nos deu! Quando sentamos sob a árvore você apagou, cara!" Diz o homem que estava de costas para mim, logo o reconheço, um dos meus amigos do encontro.
"O que aconteceu lá?" Pergunto.
"Depois que você desmaiou o trouxemos pra cá. A moça alí me falou o que você tinha, mas eu esqueci." Dá uma pausa, como se estivesse pensando no que ia falar, "Seis dias desmaiado não é para qualquer um, hein!"
"Quando volto para casa?" Pergunto.
Ele cutuca a enfermeira e repete minha pergunta. Ela responde "Hoje mesmo, à tarde você já está em casa!"
Chego em casa, vou para o meu quarto e deito em minha cama. Olho para a minha prateleira e vejo uma garrafa cheia de fumaça.
11/01/11

Nenhum comentário:
Postar um comentário